Você sabe exatamente do que cada pessoa ao seu redor precisa.
Sabe o horário do filho, a preocupação do parceiro, a dor da amiga, a demanda do chefe. Você organizou, resolveu, sustentou. E fez isso bem, porque você sempre faz bem.
Mas se alguém te perguntar o que você precisa, você hesita. Talvez dê uma resposta genérica. Talvez mude de assunto. Talvez nem saiba mais, de verdade, o que responder.
Isso não aconteceu de uma vez. Foi gradual. Uma pausa adiada aqui, uma necessidade ignorada ali, um “depois eu cuido de mim” que nunca chegou. Até que a sua presença no mundo foi se tornando quase inteiramente instrumental, você existe para fazer, para dar, para resolver.
Na Terapia do Esquema, trabalho muito com o padrão que chamamos de subjugação das próprias necessidades. Ele costuma surgir cedo, em famílias onde cuidar dos outros era a forma de pertencer, de ser amada, de ser suficiente. E se instala com tanta naturalidade que, com o tempo, você para de perceber que está desaparecendo de si mesma.
Você não sumiu. Aprendeu a se colocar por último. E é possível aprender diferente, sem culpa, sem precisar abandonar quem você ama.
Cuidar de você não é egoísmo. É o que permite que o cuidado que você oferece aos outros venha de um lugar de escolha, não de exaustão.
Eu vejo isso muito de perto, como psicóloga e como mulher. A carga que recai sobre nós é real. E reconhecê-la é o primeiro passo para não deixar que ela decida quem você é.
Se você se perdeu no meio de tantos papéis e quer se reencontrar,